♥ Memorial

Tocando em Frente

Composição: Almir Sater e Renato Teixeira

Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso à chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso à chuva para florir

Todo mundo ama um dia.
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
e no outro vai embora

Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso à chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

 

INTRODUÇÃO

 

Optei por dar início ao meu memorial utilizando na epigrafe uma música de muito significado em minha vida. A música de Almir Sater e Renato Teixeira é uma recordação poética que marca minha caminhada de (des)construções, baseada em um compromisso de não-omissão na construção de minha própria história. Faz-me pensar no meu futuro profissional, em ter paciência e saber aproveitar tudo que me é dado, entender que aprendemos todos os dias, que temos que ter a humildade de dizer que não temos resposta para todas as questões, e que somos responsáveis pelas nossas ações, que nosso futuro depende de nossas escolhas no presente.

Há uma passagem no livro Humano, demasiado humano de Nietzsche em que ele diz que “há tensão e paixão que caracterizam aqueles que arriscam deslocar-se para lugares desconhecidos, desafiam verdades prontas, movem-se em busca de conhecimentos novos, viajam pelo conhecimento.” ¹. Enxergo nesse trecho o professor, o que o caracteriza, as tensões e paixões decorrente da práxis pedagógica, entrar numa sala de aula é como deslocar-se para um lugar desconhecido, mesmo que o faça todos os dias nunca é a mesma sala, nunca são os mesmos alunos. O que seria educar se não desafiar verdades prontas? Esse meu pensamento se completa em outro livro de Nietzsche, Assim falou Zaratustra, no discurso Do ler e escrever, onde vejo que o papel do professor seria também o de formar alunos capazes de criticidade, capazes de escrever e não apenas ler o que já foi escrito, capazes de criar. O professor deve direcionar a aprendizagem, deve oferecer condições propícias para estimular o interesse dos alunos.

Trago então como intenção desse memorial descrever meu caminho como futura professora. Passando por minha experiência como estudante do ensino fundamental ate o nível superior e o que almejo para o meu futuro profissional, pautada nas ideias que tenho acerca da Didática, esclarecendo o porquê da minha escolha profissional.

¹ NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Humano, demasiado humano: um livro para espíritos livres. Tradução Paulo César de Souza. São Paulo: Cia das Letras. 2005.

DIÁRIO DE CLASSE

 

Há 19 anos comecei minha vida como estudante, não me lembro dos meus primeiros professores, nem dos meus primeiros colegas, mas lembro-me da escola, das atividades que tínhamos, das musicas que cantávamos quando estava na educação infantil. Recordo-me de quando minha mãe foi minha professora na primeira série. Foi ai que me encantei por essa profissão, brincava com minhas bonecas de ser professora. Com os anos, muitos foram os professores que continuaram a me encantar, seja na maneira de darem aula, ou na linguagem que utilizavam, tentavam nos aproximar do conhecimento, mostrando sua funcionalidade fora da escola, e quando descobríamos pra que aquilo servia aprender era muito divertido. Mas, também tive como professores aqueles que se sentiam o máximo por deterem o poder de aprovar e reprovar, dando bastante ênfase na reprovação como método de controle da turma.

Poucos foram os professores que tentaram despertar o meu senso critico, pelo contrario, faziam com que aceitássemos tudo como uma verdade absoluta. Recordo-me com carinho dos professores que me ajudaram a despertar esse pensamento critico, a enxergar as coisas por uma nova visão, a questionar, libertando-nos das amarras dessa educação tradicional. Ao longo de todos esses anos fui construindo em mim essa paixão pela educação, aprendendo com os professores não somente o que eu gostaria e poderia fazer, mas principalmente que tipo de educadora eu não gostaria de ser. Não quero que nenhum dos meus alunos passe pelas dificuldades que passei por conta de maus professores, ao contrario, quero ser pra eles o que alguns professores são até hoje para mim, uma inspiração.

Sempre gostei muito de ler, de estudar, somente humanas. Tinha e ainda tenho pavor das exatas, por conta de péssimos professores que não souberam me orientar quando foi necessário. Eu e minhas amigas elaborávamos complexos sistemas de pesca, cada uma estudava uma coisa e passava pras outras, era divertidíssimo, sem contar que na maioria das vezes quando fazíamos as pescas nem nos lembrávamos de utilizá-las durante as provas, nos lembrávamos de todo o assunto da “pesca”, pois não percebíamos que o ato de fazê-las e copiá-las eram um ótimo método de estudo. De muitas maneiras todos os professores que eu tive me ajudaram e me fizeram crescer, se não de uma forma direta me mostrando que caminhos seguir, indiretamente me mostrando aquilo que eu sabia que não queria ser como futura professora.

EU E A DIDÁTICA

Percorri um longo caminho até a Universidade Federal da Bahia, cheio de tristezas e alegrias, e cursando agora o segundo semestre de pedagogia entrei em contato com a disciplina Didática. Uma disciplina que aborda as tendências pedagógicas e que estuda o processo de ensino. Foram muitos os estudos realizados baseados no pensamento de Libâneo, Freire e Gadotti. Foi a primeira vez que entrei em contato com a teoria daquilo que há muitos anos tenho contato na pratica como estudante. Libâneo divide as tendências Pedagógicas na prática escolar em Pedagogia Liberal e Pedagogia Progressista, sendo a liberal subdividida em Tradicional, Renovadora, Progressista, Renovada não diretiva e tecnicista e a Progressista em Libertadora, Libertária e crítica social de conteúdos. Foi de fundamental importância para mim compreender porque tal professor agia de uma forma e outro de outra e perceber as correntes filosóficas e as tendências educacionais que estavam por trás de cada uma das atitudes desses professores, e como, em maior ou menor medida elas se mesclavam em sua postura como educador.

Percebemos ao longo desse semestre a importância do planejamento das aulas, entendemos que por mais experiente que seja um professor ele não deve jamais entrar em sala de aula sem tê-lo feito, pois com o planejamento tem-se uma garantia de que as aulas vão ganhar em qualidade e eficiência, diferente do que muitos professores pensam a respeito do planejamento, como ele sendo uma perda de tempo ou apenas um instrumento burocrático. O plano de aula é de suma importância para o educador. Para realizá-lo com segurança devemos levar em consideração alguns aspectos que nos auxiliarão em sala de aula como que tipo de aluno nos teremos, por que ensinar determinado assunto, como iremos ministrar nossa aula, e por fim como iremos avaliá-los.

PROFESSORA, QUE CAMINHOS TRILHAR

Como professora me vejo ensinando a uma linda turma de Educação Infantil, sempre foi o que eu quis, e luto para que esse desejo se realize. É muito triste que a nossa Universidade não se preocupe com a parte mais pratica da nossa formação, felizmente somos bombardeados por inúmeras teorias que irão nos apoiar no futuro próximo.

Acredito que de tudo que aprendi durante o semestre nas aulas de Didática por meio dos textos estudados, dos debates ocorridos, dos seminários apresentados, e das reflexões feitas irão iluminar o meu caminho como futura pedagoga. Percebi a importância da dialogicidade, que estudamos em Freire, como essência da educação e compreendi que o professor não é possuidor do conhecimento, mas sim um mediador do mesmo.

Não saberia dizer se seguirei essa ou aquela tendência pedagógica, até porque, pelo que estudamos percebemos que nenhuma pratica se encontra sozinha, e que não devemos julgar qual a melhor ou pior, pois cada uma delas traz seus pontos positivos e negativos. O papel do professor para mim não é de fornecer respostas prontas, é sim estimular seus alunos a pensarem e desenvolverem o conhecimento por meio da dúvida e da curiosidade, e acredito que no futuro estarei apta a formar alunos capazes de criticidade, capazes de criar. Como professora devo direcionar a aprendizagem dos meus alunos e oferecer condições propícias para estimular o interesse deles.

Infelizmente, nossa profissão escolhida com tanto amor não é valorizada pela sociedade em geral, parece que na maioria das vezes estamos nadando contra a maré. Deveríamos pensar em como essa profissão é importante para a sociedade. Onde estariam os médicos, advogados, arquitetos, artistas se não houvesse bons professores para apoiá-los e educá-los? Sem o incentivo do professor, muitos talentos se resumiriam em promessas.

CONCLUSÃO

 

Acredito que, como futura pedagoga, devo assumir o compromisso com a transformação social, com a busca de práticas pedagógicas que tornem o ensino eficiente para a maior  parte da população e buscar formas de manter as crianças na escola. Espero também contribuir de forma positiva para a educação do nosso país, já tão desgastada e em estado de calamidade.

REFERÊNCIAS

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Humano, demasiado humano: um livro para espíritos livres. São Paulo: Martin Claret. 2005.

———————————————. Assim falou Zaratustra. São Paulo: Martin Claret. 2002.

LIBÂNEO, José Carlos. Didática: teoria da instrução e do ensino. In Didática. São Paulo: Cortez, 1994.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 47ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.

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